
Esses dias, revirando as prateleiras, encontrei uma velha agenda de 1993. Isso mesmo, caros leitores, um achado histórico, emblemático da minha juventude adulta (eu tinha tenros 29 anos naquela época), eu diria que quase um produto similar aos descobertos somente depois de anos de escavações arqueológicas. Pois bem, dentre tantos rabiscos, registros e anotações deparei-me com uma frase do padre Antônio Vieira (1608-1697), religioso, escritor e orador português integrante da Companhia de Jesus, cujos membros são conhecidos como jesuítas. Depois da breve apresentação, aí vai a frase: "Deus deu aos olhos duas funções. A da visão e a do choro. A do choro mais do que a da visão, pois até mesmo um cego é capaz de chorar". Digo tudo isso porque essa citação me fez lembrar um trabalho fotográfico que realizei no IPC - Instituto Paranaense de Cegos, e que me sensibilizou bastante. É paradoxal pensar na bela harmonia existente entre a fotografia, completa dependente da luz para funcionar, e a cegueira, da qual a escuridão é uma eterna companheira. Um dia pretendo transformar em exposição essa série. Enquanto isso não acontece, deixo uma pequena amostra do que vi e registrei naquela ocasião. Nessa imagem, um dos residentes do IPC consulta as horas, em um relógio adaptado para quem "vê" o tempo passar usando apenas quatro sentidos.
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