quinta-feira, 24 de julho de 2008

Os 4 Sentidos.


Esses dias, revirando as prateleiras, encontrei uma velha agenda de 1993. Isso mesmo, caros leitores, um achado histórico, emblemático da minha juventude adulta (eu tinha tenros 29 anos naquela época), eu diria que quase um produto similar aos descobertos somente depois de anos de escavações arqueológicas. Pois bem, dentre tantos rabiscos, registros e anotações deparei-me com uma frase do padre Antônio Vieira (1608-1697), religioso, escritor e orador português integrante da Companhia de Jesus, cujos membros são conhecidos como jesuítas. Depois da breve apresentação, aí vai a frase: "Deus deu aos olhos duas funções. A da visão e a do choro. A do choro mais do que a da visão, pois até mesmo um cego é capaz de chorar". Digo tudo isso porque essa citação me fez lembrar um trabalho fotográfico que realizei no IPC - Instituto Paranaense de Cegos, e que me sensibilizou bastante. É paradoxal pensar na bela harmonia existente entre a fotografia, completa dependente da luz para funcionar, e a cegueira, da qual a escuridão é uma eterna companheira. Um dia pretendo transformar em exposição essa série. Enquanto isso não acontece, deixo uma pequena amostra do que vi e registrei naquela ocasião. Nessa imagem, um dos residentes do IPC consulta as horas, em um relógio adaptado para quem "vê" o tempo passar usando apenas quatro sentidos.

segunda-feira, 7 de julho de 2008

De tirar o chapéu!

A despeito de todas as notícias acerca do aumento indiscriminado de veículos nas ruas, causando monstruosos engarrafamentos nas principais metrópoles do País, as montadoras continuam insaciáveis nos lançamentos e - graças à estabilidade econômica - nas facilidades de financiamento dos mais distintos modelos. Não à toa, é de cansar o volume de propagandas de veículos na televisão, que, somadas às de cerveja, devem ocupar mais da metade do espaço publicitário da telinha. Haja paciência. Mas tem coisa boa nessa história, pena que não aqui no Brasil. Confiram o monumental anúncio do Honda Accord, o melhor da categoria automóveis que eu já vi. Dois minutos que poderiam ser quatro, oito, vinte. Dá vontade de ver e rever. Cliquem aqui e aproveitem. Depois me digam se eu tenho ou não tenho razão.

sábado, 5 de julho de 2008

Propagandas que gostaríamos de encontrar na Veja.

Sabe aquelas propagandas que nunca foram publicadas, tendo ficado apenas nos Macintosh dos seus criadores e nas reuniões de brainstorm das agências? Pois bem, a Panda Books reuniu várias dessas campanhas no livro "As Impublicáveis Pérolas da Propaganda. Agora Publicadas". São 104 peças e 48 slogans, mostrando o que pode resultar do livre exercício da criação publicitária. Os autores são Eduardo Dencker, Marcel Ares e Victor Marx. Um deleite para quem gosta do assunto e para quem quer colocar na estante uma coletânea de anúncios que nada ficam a dever aos que realmente são veiculados no dia-a-dia da mídia. Abaixo, segue uma palhinha.





sexta-feira, 4 de julho de 2008

Teoria X Prática

Reproduzo aqui uma das mais brilhantes frases com as quais me deparei. Essa ornava uma das paredes do boteco Kanimambo, que hoje não mais existe, mas que era tradicional ponto de encontro de estudantes, artistas, desocupados, profissionais liberais e bebuns de todo gênero. O bar localizava-se na rua Comendador Araújo, em Curitiba-PR, e a calçada em frente ficava repleta de grupinhos discutindo assuntos dos mais variados, desde fissão nuclear até a importância da composição química da saliva do camelo para a falta de caráter dos políticos. Tudo no local era digno de um aprofundado estudo sócio-antropológico, mas a famosa frase tornou-se um de seus maiores atrativos. Anote lá: "Teoria é quando sabemos tudo e nada funciona. Prática é quando tudo funciona e ninguém sabe por quê. Aqui nesse bar se conjugam teoria e prática. Nada funciona e ninguém sabe por quê". Genial, não?

quinta-feira, 3 de julho de 2008

Enquanto isso, na zona sul...

Reunião na cobertura de um rico empresário, de frente para o mar, em Ipanema, para tratar de assuntos diversos. Enquanto os croquetes de camarão são servidos aos presentes – entre os quais um piloto futurista de nome Luke Skywalker – o manobrista recolhe à garagem o carro de Dick Vigarista e Muttle. No banheiro, retocando a maquiagem, Pamela Anderson aproveita para fazer uma ligação para Maguila, cobrando as luvas que ele usou para surrar Osama Bin Laden, e que lhe foram prometidas no dia do confronto, ocorrido num ginásio em Feira de Santana-BA. A campainha toca e o mordomo Alfred, de folga da Bat Caverna e aproveitando para reforçar o orçamento, corre para atender. Entram correndo para a cozinha Ofélia e seu assistente, Cheff Vergé. Vampirela é surpreendida atrás da cortina dando um malho em Jece Valadão, e resolve assumir o relacionamento. Num canto da sala, jogando pôquer, estão onze homens, cada um com um segredo. Woody Allen ensaia, no corredor que dá acesso aos banheiros, uma sinfonia de Mozart para clarineta. A reunião está prestes a começar quando Ermírio de Moraes, síndico do prédio, avisa pelo interfone que os condôminos estão reclamando do barulho. A campainha toca mais uma vez. Ao ser aberta a porta, Rin-tin-tin entra em disparada, latindo e babando. Félix, o gato, que dormia tranqüilamente sobre a geladeira, se atira para a morte, pela janela da área de serviço. A reunião é suspensa.

terça-feira, 1 de julho de 2008

Despercebido ou Desapercebido???

Acho que a Língua Portuguesa é a que mais "armadilhas" traz para os seus usuários. Cheio de regras e mais ainda de exceções, o nosso querido idioma é, por isso, um fantasma para aqueles que dependem dele para trabalhar ou para simplesmente escrever uma carta ou um documento. Muitos são os enganos cometidos, o que por si só não quer dizer que os seus autores sejam iletrados. Passar incólume por todas as pistas escorregadias do Português exige estudo e prática, mas isso vem com o tempo. Vou tentar explicar de forma simples um erro freqüentemente encontrado em textos dos mais diversos, incluindo alguns produzidos e reproduzidos na imprensa. A confusão é entre as palavras DESPERCEBIDO e DESAPERCEBIDO. Muita gente usa o segundo termo quando deveria, na verdade, usar o primeiro. Anote lá. DESPERCEBIDO significa "sem se fazer notar; sem atrair a atenção", e DESAPERCEBIDO (cujo uso é bem mais restrito) é o mesmo que "desprovido; desprevenido". A diferença na grafia das duas palavras é mínima, mas em seu significado ela é enorme. Então, a partir de agora, não deixe passar DESPERCEBIDO esse detalhe quando for escrever alguma coisa. Percebeu?